
Para aqueles que ainda não conhecem o trabalho de PES, ou devo antes dizer Adam Pesapane, vale a pena dar uma vista de olhos. É director e animador de uma série de curtas metragens e filmes publicitários (alguns para marcas como a Nike, PSP, Bacardi e Orange), em que utiliza a técnica do stop motion. As ideias surgem-lhe a maioria das vezes a partir de um objecto ou de um conjunto de objectos, de cujas características específicas tira partido na sua animação. Tem, de facto, uma “apetência por alterar as ideias pré-estabelecidas sobre objectos particulares: gosta de brincar com as percepções que o público tem do mundo.” (Diana Nóbrega).

PES entra no offf a deliciar o público com uma sucessão de pequenos filmes repletos de objectos coloridos que parecem ganhar vida – gomas, bonecos, moedas, meias, amendoins e até sofás – tudo pode vir a ter um propósito, e é por isso que vai coleccionando todo o tipo de objectos.
Mas PES não se limitou a uma simples mostra do seu trabalho, este está aliás disponível para visualização online. Os fãs do stop motion, já de água na boca, satisfizeram o seu apetite quando PES explicou o making of de um dos seus mais recentes e aclamados filmes – Western Spaghetti. Numa espreitadela aos bastidores pudemos ficar com uma pequena ideia do trabalho e minúcia necessários à produção de uma animação deste tipo, bem como das técnicas envolvidas – algumas das quais de um grau de elaboração admirável (a simulação do elemento “água” é como calculávamos, bastante difícil). O resultado está à vista, e ficámos todos com vontade de repetir o prato. E ele fez-nos a vontade. Mais um making of, desta feita referente ao filme Human Skateboard, produzido para a marca de ténis “Sneaux”. Transferindo a lógica que utiliza com os objectos para as pessoas, temos como resultado um estilo de animação largamente referido como pixelation, segundo Adam. Usando apenas dois rapazes como “fantoches” – um deles como tábua – ficamos com uma cena de skate de fazer inveja ao próprio Tony Hawk.

PES aproveita para dizer que neste caso a ideia era realmente brilhante e que a melhor forma de a valorizar e executar era de facto o stop motion. Mas afirma que nem sempre é o caso. Defende que o stop motion apenas deve ser utilizado quando melhor serve a ideia, ou seja é um meio que serve um fim, e não o contrário – acontece-lhe frequentemente uma marca ver os filmes que produz e ir ter com ele a pedir-lhe que adapte aquela ideia ao que quer que seja que vendem – sem dúvida uma má prática.
Despede-se não sem antes afirmar que pretende explorar outras técnicas e áreas criativas – nós achamos bem e só esperamos que com isso não abandone a produção de filmes como estes, porque não nos cansamos de os ver!
Um misto de criatividade, técnica e muita, muita paciência parecem ser os ingredientes necessários para pôr em andamento ideias como estas – e PES parece dominá-los a todos.

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Inês Araújo